A experiência do Luís na Ilha da Boavista

Nha Bubista

As ruas de terra e areia batida separam as casas de cimento e chapa que se prolongam por muitos metros. São casas sem quaisquer condições de habitabilidade, segurança e higiene, onde os odores se misturam com a música que toca nos pequenos rádios dos milhares de habitantes daquele que é um dos mais perigosos e pobres bairros de Cabo Verde.

Estávamos em Novembro quando decido partir rumo à ilha da Boavista, para um projeto de voluntariado internacional num jardim infantil. São cerca de 150, as crianças, dos 2 aos 5 anos, que, diariamente, se deslocam para o Jardim “O Xururuca” para passarem os seus dias distraídos das dificuldades que atormentam os mais velhos. Enquanto os pais trabalharam nos resorts e no mar, as crianças brincam e aprendem a ler e a pintar.

Vim para dar um pouco de mim e acabo por ganhar mais do que aquilo ofereço! Sei que esta é mais uma daquelas expressões que lemos nas redes sociais dos voluntários que descrevem as suas experiências, mas eu vou ter que repeti-la. Com esta experiência e com as crianças que fui lidando todos os dias, durante os dois meses que estive em terra de morabeza, aprendi o verdadeiro sentido da humildade, da partilha, da amizade e da felicidade.

Os sorrisos e as gargalhadas, os abraços e os beijos daquelas crianças são o retrato e a imagem de Cabo Verde que transporto comigo para todo o lado. No meio da pobreza e da miséria, o sorriso prevalecia sempre. Em cada um dos pequenos rostos que diariamente se cruzavam comigo eu via um guerreiro, uma guerreira, lutadores desde o dia em que nasceram, sujeitos a condições inimagináveis e inexplicáveis.

Vi fome e sede, mas também vi coragem e valentia. Sei que em dois meses não consegui mudar o mundo, não o consegui tornar mais justo e tolerante, mas tenho a certeza que, tal como estas crianças mudaram a minha vida eu também ajudei que elas tivessem dois meses muito diferentes.

Sozinho não consigo tornar o mundo um melhor sítio, mas se te juntares a mim e deres o teu máximo já seremos mais a lutar pela igualdade e tolerância. Não deixes para os outros o que tu podes também fazer! Arrisca!