A experiência da Liliana no Tarrafal

To build a home…
Construir uma casa, sonhos e sorrisos no Tarrafal.

Demorei a escrever os meus relatos sobre a minha primeira experiência de voluntariado internacional porque queria guardar tudo só para mim, quase num acto de egoísmo. Queria perceber o que, de facto, tinham sido estes meses na minha vida. Depois de quatro meses em Portugal, todos os dias, a minha vontade continua a ser só uma: voltar (sempre) e contrariar a máxima que diz que não devemos voltar aos sítios onde já fomos felizes.

20 de Outubro de 2017. O dia em que chegou a tão esperada resposta com a certeza que ia dar o salto na realização de mais um sonho. Desde esse dia até ao final do ano foi o tempo de tratar de tudo o que era necessário. Meses a trabalhar em triplo para, monetariamente, conseguir suportar o tempo que ia estar fora, semanas a despedir-me do conforto de casa e a vacinar-me de momentos com os meus para que as saudades fossem atenuadas antecipadamente – e não fosse eu uma saudosista por natureza. Estava de corpo em 2017, mas de coração apertado em 2018 numa contagem decrescente que parecia teimar em passar à velocidade de um caracol.

Eu, que olho para a passagem de ano como algo bom pelo poder do recomeço, recordo essa especialmente como um verdadeiro momento de viragem. Deixei os meus trabalhos em stand-by, fechei para sempre a porta da casa onde vivia há seis anos e arrumei objectos e vivências numa bagagem. Arrumei a casa e o coração e fechei tudo com a vontade incessante que tenho em ser feliz. Nessa noite, entre lágrimas de felicidade e conquista, num abraço apertado, uma amiga dizia-me “É agora, está tudo a dar certo!” e quem faz parte de nós não se engana. E foi assim. E deu certo.

Lembro-me bem do momento em que cheguei ao aeroporto e deixei Portugal para trás. A felicidade e o receio iam de mãos dadas, mas a minha sede de viver equilibrava os sentimentos. Era eu, um passaporte renovado e uma mochila de 17kilos de bagagem de pouca roupa e muito material para tentar colorir os sonhos daqueles miúdos. Era eu a sair da minha zona de conforto e a partir sozinha na aventura da minha vida.

Aterrei na Cidade da Praia de noite. O cansaço de um dia agitado tomou conta de mim e só no dia seguinte descobri a cidade. O gesto tão imediato de entrar no táxi, colocar o cinto e ele não existir foi logo índice de que tinha mudado de País, mas Portugal continuava presente nos relatos de futebol sobre o Benfica que ecoavam na rádio, em sotaque bem português. Da Praia até ao Tarrafal são cerca de 70km, entre curvas e contracurvas fica uma hora e meia de viagem de uma ponta da Ilha à outra.

As primeiras impressões ao chegar ao Tarrafal foram passando por vários níveis durante o dia. Inicialmente, quando estava no carro para a Delta Cultura (a associação onde ia ser voluntária), tudo era muito melhor do que as imagens que tinha na cabeça. Por outro lado, no caminho da Delta para a casa onde ia ficar com os outros voluntários, o coração começava a ficar mais pequenino com o caos. Muitas ruas em terra batida, passeios inexistentes, muitos animais feridos a comerem lixo, a maioria das casas sem a construção estar terminada… uma cidade tão pequena e com pólos tão distintos foi o que pensei naquele momento.

A chegada à Delta Cultura foi o mais esperado, mas, também, o mais assustador porque muitas crianças pareciam tímidas e a não querer que nós, voluntários portugueses, que, entretanto, conheci, estivéssemos lá, mas… no meio disto tudo, um miúdo correu para os meus braços, saltou para o meu colo e deu-me um beijo na testa como se já tivesse saudades minhas, antes, sequer, de me conhecer. Abraçamo-nos e foi o Leo que me fez pensar “Estás na missão certa, miúda.” O arrepio que, logo ali, senti, não se exprime em palavras. Ainda a propósito dos nomes, e a título de curiosidade, já era difícil memorizar um nome, quanto mais dois, porque os miúdos têm dois nomes, o nome e o nominho, que são o nome de igreja e nome de casa, respectivamente.

No instante em que cheguei saltou-me à vista a organização do espaço, que achei fenomenal por não ser um único edifício, mas sim várias salas que se dispõem em volta de um pátio que grita liberdade para os miúdos. Assim sendo, a associação está dividida: o jardim, para os mais pequeninos, a sala de informática, a sala de estudo, os balneários, a sala de artes, a sala de música, a sala de línguas e o recreio exterior onde também se localiza o campo de futebol ajudado a construir pela FIFA no âmbito do projecto Futebol for Hope.

A Delta Cultura é uma associação com crianças dos 4 aos 17 anos e tem como princípio promover a educação não tradicional, partindo de uma ideologia assente na liberdade. Desde cedo que a criança é ensinada a ter poder de escolher qual a actividade que quer fazer, a sala onde quer estar, e decidir com a consciência de que qualquer atitude tem uma consequência para o seu futuro e se, por exemplo, não fizer os trabalhos de casa de uma forma livre, será responsabilizada na medida em que ficará de castigo na escola, ou seja, tentam incutir nas crianças uma educação de liberdade, mas com responsabilidade. A escolaridade é obrigatória e, por isso, as crianças estão na Delta conforme os seus horários escolares. Metade tem aulas de manhã e está na Delta da parte da tarde e a outra metade funciona no esquema contrário.

No decorrer da experiência, algumas pessoas perguntavam-me se a pobreza me fazia confusão, mas, sinceramente, os meus olhos não viam essa pobreza que as pessoas têm como imagem de uma África pura. Talvez seja chocante para um Europeu as crianças andarem descalças, mas eu vejo isso como uma despreocupação, uma leveza, não como pobreza. Muitas vezes os miúdos chegam à Delta e descalçam-se porque é assim que se sentem bem, a sentirem a Terra, a serem livres. Ali, a nossa prioridade, enquanto voluntários, não é actuar na tão falada “pobreza porque é África”, mas sim actuar na educação e na formação das crianças. Essa é a maior fragilidade e onde, talvez, possamos ser mais úteis.

O meu trabalho na Delta Cultura foi muito diverso e não focado só num ponto específico. Apesar disso, onde passava a maior parte dos meus dias era na Sala de Artes, que era da minha responsabilidade. Organizava actividades, workshops ou simplesmente tomava conta de quem estivesse na sala livremente a fazer algo, assim como organizar material, lavar e limpar a sala no final de cada dia. Por vezes, as actividades eram transpostas para o exterior e aí fazíamos jogos lúdicos, concursos de dança e um sem fim de actividades.

No tempo em que estive na Delta, um dos temas principais foi a igualdade de género. Desta forma, foi convidada uma enfermeira para dar uma palestra sobre esta temática e, nós, tentámos que as actividades que estávamos a organizar fossem de encontro a este assunto. Similarmente à enfermeira, organizamos um debate em que falamos sobre as nossas profissões. Para explicarmos o tema de uma forma mais eficaz e atractiva, optamos por fazer um cartaz, com alguns famosos com profissões ditas do sexo oposto ao deles, e deixamos os miúdos pintar as mãos com tintas e depois marcar o cartaz.

Com esta ideia pretendíamos que os miúdos percebessem que as mãos podem ser todas de cor diferente, mas todas iguais, independentemente do nosso género, raça, profissão ou idade. Nesta actividade o que me tocou mais foi quando fomos lavar as mãos e a tinta não estava a sair bem e as miúdas já estavam quase a chorar com medo, a dizer que os pais lhes iam bater se chegassem a casa assim. Fiquei tão preocupada que só pensava em tirar-lhes aquilo rapidamente das mãos e pensei em como, de facto, a educação é tão diferente daquela que eu tive.

As crianças acham tudo isto muito esquisito e não percebem muito bem que todos nós temos os mesmos direitos, assim como deveres, independentemente do nosso género, apesar do Gilson repetir vezes sem conta: “Trabajo é trabajo, nka teni trabajo di mujer ni trabajo di homi, trabajo é trabajo.” Como já referi, o importante é actuar muito na base da educação e na formação dos miúdos, para adquirirem os valores mais correctos. Aliás, sempre que os miúdos nos pediam “moedinha”, nós sempre tentamos incentivar-lhes o estudo e respondíamos “bo studa pa bo trabaja pa bo teni dinherú.”

Uma outra actividade na qual colaborei, e que desconhecia, foi o torneio de futebol de 3 enquadrado no programa Futebol for Hope da FIFA. Cada um de nós, voluntários, foi moderador juntamente com um trabalhador da associação e, na última semana de programa, fizemos um torneio no qual nós mesmos éramos os participantes. Neste tipo de jogo, conta muito o fairplay, na mesma igualdade que os golos marcados por ambas as equipas. Há três grupos de regras: as básicas, as técnicas e as regras de fairplay que são, também, três, e são os participantes que definem essas regras e podem ser, por exemplo, abraçar um elemento da equipa adversária quando estes marcam golo, o primeiro golo de cada equipa valer por dois, fazer uma dança a cada golo, entre outros.

Estas regras são pré-definidas antes do começo da partida e são as que acrescentam os tais pontos de fairplay que, posteriormente, são somados aos pontos do jogo, e isso pode ditar o verdadeiro vencedor do torneio. Neste caso, praticamente todos os miúdos adoram futebol e levam muito a sério os treinos todas as semanas, interdependente do seu género e idade.

Outra das actividades que mais feliz me deixou foi ajudar na preparação do Carnaval dos mais “pikenotes”, as crianças do Jardim. Foi juntar a temática Carnaval que adoro preparar com o facto de estar a fazer os miúdos felizes num dia diferente do habitual. As meninas foram de vendedoras de peixe e os meninos de pescadores. Ajudei na preparação das roupas, fiz canas de pesca em cartão e papel, peixes gigantes em cartão pintado, colares de conchas com o Oliver, cestas do peixe feitas com caixinhas de papel, tratei das maquilhagens, enfim, foram dias intensos de trabalho, mas muito recompensados com a alegria dos miúdos no dia do desfile.

Conjuntamente à preparação do desfile dos mais pequeninos, na sala de artes preparávamos as máscaras dos mais crescidos para o concurso de máscaras que realizamos nessa semana, com o Gilson a juntar-se a nós para formarmos o júri e o Samir a ser o apresentador. Sem dúvida que foi uma das semanas mais entusiasmantes na Delta.

A par com as actividades que íamos desenvolvendo com os miúdos, lembramos-nos de pintar algumas paredes da associação, tanto interiores como exteriores. Começamos por uma parede da Sala de Artes, que sempre foi um dos “meus” espaços. Aqui, mais do que deixarmos a nossa marca queríamos que eles percebessem a importância de estimar o material, pedirem o que quer que seja com a devida educação e cuidassem da sala como um espaço de todos.

Não posso descrever a minha experiência sem falar no Oliver. O Oliver é um miúdo tímido, difícil de chegar à sua essência, mas quando o conseguimos ficamos arrebatados com o seu coração e o seu espírito lutador. Desde que o conheci que me contou que o sonho dele era ser arquitecto. Quando eu lhe disse que era a minha profissão ele sorriu do tamanho do mundo e pediu-me para eu o ajudar ensinado-lhe os aspectos que eu considerava mais importantes. Senti uma responsabilidade, confesso, mas a partir desse dia passamos horas a falar sobre arquitectura, a ver vídeos de maquetes virtuais na sala de informática e ele a apontar cada nome de arquitecto que eu lhe ensinava.

Não podia vir embora sem lhe deixar um incentivo, a minha missão não estaria completa. Desde Portugal, pela mão do José (um novo voluntário que chegou quase no nosso final), consegui que os meus amigos enviassem o livro “Da Organização do Espaço” do Fernando Távora – e quem é da área sabe como este livro é uma “Bíblia” obrigatória de ler – e um conjunto de Moleskines para ele desenhar os primeiros projectos e colorir os seus sonhos. No último dia entreguei-lhe o embrulho e só a reacção dele foi o maior agradecimento antes de me dizer qualquer obrigada. Prometeu-me que não ia desistir e eu prometo-te que vais longe, miúdo!

Cabo Verde é todo este amor. Cabo Verde está no coração, está em todas as lembranças que trouxemos e no contacto que continuámos a ter para minimizar a saudade daqueles meses. Está na Delta Cultura e em todas as horas na sala de Artes. Está nos minutos a fazer “sorrisinho” com a Vanessa e nas horas a dançar com a Kenira, a Olinda, a Carla e a Caty.

Está nas birras da Melissa e da Sapatinha e no mimo da Nelly, da Marsília e da Ceúzinha. Está nas aulas de Língua Portuguesa que acabavam em guerra de almofadas porque a felicidade de ser criança é tão importante como saber a acentuação correctamente. Está em todas as pinturas que fizemos nas salas, no desenho da roda dos alimentos, dos tempos verbais, na explicação da acentuação e nas frases motivadoras.

Está na canção de bom dia dos pikenotes do jardim: “Bom dia ao Neymar, à Nelly e à Sapatinha, bom dia, bom dia, bom dia cá na Delta” e que, ainda hoje, dou por mim a cantar muitas vezes. Está nas boleias do Carlitos e em todos os kms que caminhámos até Ribeira da Prata para encher o baú dos dias felizes. Está nas compras para os jantares na banca da Fica, nas bolachas da Luzinha e nos almoços na Mité porque queríamos “txeu batata”.

Está nas horas passadas na Cachoeira a carregar os telemóveis quando ficávamos sem luz e a ganhar energias a ver notícias de Portugal e jogos de futebol para nos sentirmos em casa. Está na incrível roadtrip de Hiace pela Ilha com a Mariana e o Michael. Está no calor insuportável da Cidade Velha e na sombra do Mercado de Sucupira, um mercado gigante que acontece todos os sábados, com bancadas de todo o tipo, pessoas a rezar, comida, bancas de roupa e calçado, cabeleireiros, um mix de actividades numa grande diversidade cultural que me deixou completamente fascinada.

Está nas barrigadas de cachupa com ovos “só di terra” e nos escudos cabo-verdianos que poupávamos para as caipirinhas de grogue (um álcool típico produzido a partir da cana-de-açúcar) do Santiago Lounge. Está em todos os dias que passamos na Ponta D’Atum, o nosso sítio preferido para carregar baterias depois de uma semana com as energias todas postas na Delta. Está naquele 24 de Fevereiro, o dia em que deu onda no mar da Ponta e sobrevivi e na morabeza com que a gente desta terra sempre nos recebe.

Está naquele sábado em que nos perdemos na Serra da Malagueta, mas nunca nos deixamos perder na felicidade por estarmos nisto. Afinal, sobrevivemos à Malagueta, a grande aventura desta viagem. Mesmo perdidos, e com a notícia dos turistas assaltados nessa mesma semana, cantámos, dançaáos, fizemos vídeos para recordar e da desgraça fizemos risada.

Cabo Verde está para a felicidade como a areia está para o mar. Está nas infinitas vezes que chegamos a casa e constatávamos, mais uma vez, que não havia água, os garrafões de reserva enchiam a cozinha e a casa de banho e, mesmo assim, a nossa gratidão nunca baixava no depósito. Está em todos os fins-de-semana a lavar a roupa à mão e nos quatro dias consecutivos que passamos sem tomar banho por falta de água e, mesmo assim, podíamos ter o corpo sujo de pó, mas a alma sempre limpa com tanta boa energia. Está no frio que achamos impensável passar em África e no calor das noites animadas no Búzios a ver as Batucadeiras da Delta. Está nas gravações para o pitch da Rita e nos 1000 gb de vídeos que fizemos para, um dia, mostrarmos aos nossos filhos como a vida tão simples é tão boa.

Está nos cereais que comíamos em embalagens de manteiga reutilizadas e em todo o caixote que reutilizávamos nas actividades da sala de artes. Está nos dias a fazer caixinhas de papel e pulseiras na Delta e nos serões na varanda a cantar ao passo dos acordes da guitarra do Afonso. Serões na sucessiva aprendizagem para dançarmos sincronizados a Primeira Dama, mas sincrónica era só mesmo a nossa disposição. Está nas horas passadas na cozinha e nos minutos que não passávamos sem ouvir esfrega esfrega, só um beijo, nu bai, festa bedju e nha kretxeu. Se aquela varanda e as paredes daquela casa da Atchada Di Baxo falassem só iam conseguir rir às gargalhadas de tantos bons momentos.

Afonso, Beatriz e Rita: não nos conhecíamos de lado nenhum e saíram-me como prémio na lotaria da sorte. Todos juntos, eu, vocês e os nossos miúdos. Construímos uma casa, no sentido mais bonito da palavra e casa é onde está um pedaço do nosso coração. É um aglomerado de momentos, de sonhos, de partilha, de entre-ajuda. O Tarrafal é, para sempre, a casa de nós os quatro.

Entre choros e abraços despedimo-nos dos nossos miúdos. Despedimo-nos do Carlitos, do Gilson, do Nené emocionado, do Florian e da Marisa a agradecerem num abraço apertado, da Jassica e da Cutxinha que sempre tinham um sorriso pronto, do Samir que se tornou família e da Mariana, a melhor guia anjinho que rapidamente o coração esticou para a acolher. O momento que não queríamos que chegasse, chegou.

Entramos no carro de coração completamente partido, e, porque não há coincidências, o Rashid liga o rádio e, inexplicavelmente (porque nunca seria óbvia esta música em Cabo Verde) começa a dar a “To Build a Home” dos The Cinematic Orchestra. Era uma das músicas que mais ouvíamos em casa e agora a letra fazia (ainda) mais sentido. “This is a place where I don’t feel alone. This is a place where I feel at home. Cause, I built a home. For you. For me. Until it disappeared. And now, it’s time to leave and turn to dust.

Tudo o que sentíamos. Tudo o que juntos construímos. E tudo o que fazia sentido naquele momento. Demos as mãos, olhamos uns para os outros, esboçamos um sorrisos e entre lágrimas compulsivas, ouvíamos estas palavras cantadas enquanto contemplávamos a paisagem do Tarrafal a ficar cada vez mais distante. Foram seis minutos intensos. Seis minutos a relembrar em loop todos os momentos, todos os sorrisos, todas as brincadeiras e todo o amor que deixámos no Tarrafal por aquela gente. Seis minutos em que a tristeza deu lugar a uma felicidade inexplicável por ter vivido tudo isto, porque quem disse que a felicidade só é real quando é partilhada, disse-o com toda a certeza.

A Cesária Évora já falava em sodade e cantava que Cabo Verde está no caminho para São Tomé e assim quis o destino que fosse o caminho da minha aventura e levasse a letra à risca. Ti mas logo Tarrafal, ti manhã Delta. Fica dreto, nha kretxeu. Bo sta sabi.

P. S. – Dja bo ri oxi? :) (já sorriste hoje?)