A experiência da Liliana na Indonésia

Desde sempre que tencionava fazer voluntariado internacional, mas tinha receio de ir sozinha. Tinha como objetivo para este ano viajar 1 mês pela Ásia. Entretanto, surgiu a oportunidade de uma colega me acompanhar nesta viagem e que me sugeriu fazer voluntariado através da associação Para Onde. Assim, só precisei de negociar as férias no trabalho, arrumar a mala e partir para a aventura. Aquando da partida, soubemos que se iria juntar outra portuguesa e ainda uma japonesa.  Quanto ao campo escolhido: fica na ilha de Java, a 5 horas de comboio de Jacarta, junto a um campo de prostituição (Peleman Edu Camp). Inicialmente, pensei que iria estar envolvida apenas nas tarefas do campo e com as crianças, mas no primeiro dia deparei-me com uma realidade completamente diferente. Quando chegámos, fomos convidadas a ficar hospedadas na residência oficial do regente do distrito. Na manhã seguinte tínhamos à nossa espera jornalistas que nos entrevistaram para saberem quem somos, o que nos levou a fazer voluntariado e em que este consistia.  Após este momento, percebemos que a nossa estadia também tinha uma vertente política e de envolvimento na comunidade.


Quanto às tarefas de voluntariado:
– Durante as manhãs fazíamos a ronda pelas escolas primárias e jardins de infância, onde fazíamos algumas atividades com as crianças: origamis, ensinar a lavar as mãos, como escovar os dentes, entre outras; e de seguida íamos apresentar-nos aos governos locais, como forma de promoção do campo e das suas atividades.

– Quando as crianças regressavam da escola continuávamos com outras atividades como: ginástica, artesanato com materiais reciclados, batik (técnica que aprendemos no campo também e que consiste em pintura de tecidos, os quais são muito usados no vestuário dos indonésios), graffiti, tocar Tambourine (instrumento musical). À noite fazíamos atividades multiculturais: aprender as línguas de cada pais (Indonésio, Português, Japonês), aprender danças e canções tradicionais, cozinhar um prato típico de cada país (acabámos por fazer arroz doce :) ).

Para quem faz voluntariado, o que mais ouve é que o que se traz da experiência é muito superior ao que podemos dar, e, no meu caso, as expectativas foram amplamente ultrapassadas. Não imaginam a loucura que era quando nos pediam para tirar uma foto, ou quando chegávamos a uma escola a curiosidade das crianças a correrem até nós. Para mim, estas 2 semanas passaram a correr, afinal tive oportunidade de fazer tanta coisa diferente, interagir com outra cultura, divertir-me e conhecer pessoas que me fizeram sentir como se fossem a minha família. Para quem está em dúvida se deve embarcar numa aventura deste género, só posso aconselhar a não hesitar, porque apesar de se sairmos da nossa zona de conforto, acabamos também por ver a vida de uma forma diferente e bem mais positiva.

Sei que irei novamente… só me falta decidir Para Onde!

Liliana Guerra