Laura e Catarina, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

A nossa viagem teve como destino São Tomé. A nossa viagem não foi um mar de rosas. São Tomé não é um paraíso e viver nesta cidade é ultrapassar todos os dias o que achamos ser um limite, é ter estômago e sangue frio, é fazer a diferença mais vezes do fechar os olhos, é crescer e é viver na realidade que muitos desconhecem. As paisagens ditas paradisíacas não ultrapassam o resto. Na cidade há lixo, há sujidade entranhada no ar, há pessoas e animais maltratados, há preconceito, interesse e uma normalidade, no meio de tudo, estranha para quem vem de um país onde nada disto acontece. Há quem lhe chame cultura, nós chamamos-lhe uma paragem no tempo.

O que nos levou até lá foram 10 crianças internas e 3 externas (perdendo a conta aos que todos os dias iam aparecendo) e foquemo-nos nisso. Estas crianças foram a nossa casa durante 1 mês e, olhando agora para trás e metendo a cabeça no lugar, um bocadinho do nosso refúgio do dia-a-dia. Estas crianças ensinaram-nos mais do que alguém pode imaginar e pode parecer um cliché, uma frase dita por quase toda a gente que faz voluntariado mas a verdade é que ensinaram-nos que a verdadeira felicidade está nas coisas mais pequenas e simples. Que basta haver música e dança para arrancar sorrisos, que os olhos brilham quando se ouve falar em chocapic e que um copo de leite de manhã (quando há) aquece a alma. Que os pulos de alegria genuínos acontecem quando a energia volta e quando não há a vida continua, as rotinas mantém-se e o improviso acontece. Ensinaram-nos a agradecer, todos os dias pela sorte que temos e não sabemos.

Ser voluntário não passa só por fazer atividades que ocupem e proporcionem aprendizagens e visões do mundo diferentes. Essa parte é fulcral mas ser voluntário é ser um bocadinho de tudo, ouvimos e contámos histórias, demos abraços, arrancámos sorrisos e limpámos lágrimas, demos colo, amor e carinho, curámos feridas, fizemos bolachas e pizzas, ensinámos a respeitar, a falar em vez de gritar e bater, tivemos conversas informais sobre tudo e mais alguma coisa, protegemos o ambiente, deitámo-nos a ver estrelas, aprendemos a lavar a roupa à mão.

Hoje ficam as saudades de acordar com o barulho da vassoura e do machado a cortar lenha, o bater à porta de 5 em 5 minutos, os beijinhos cheios de baba e os abraços que quase nos esmagavam. Hoje tudo o que trazemos são as lembranças e o coração apertado de saudades. Deixámos um bocadinho de nós e trouxemos um bocadinho de todos. Obrigado São Tomé por nos teres dado estes miúdos incríveis ♥