A Experiência da Lara na Ilha do Maio

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Eu cheguei na Ilha do Maio na tarde de uma segunda-feira ensolarada, depois do voo mais rápido da minha vida (12 minutos da Praia até o Maio). Cheguei com o coração aberto e cheia de vontade de fazer a diferença na vida de alguém. Eu não sabia que eles todos é que fariam a diferença na minha vida e na minha forma de ver o mundo. 

A Ilha do Maio foi pra mim a junção de todos os destinos de sonho e eu a escolhi porque eu queria dedicar o meu tempo e conhecimento em prol da conservação do meio ambiente e da cultura local. Eu queria entender mais sobre os costumes e a força do povo cabo-verdiano e viver de perto um pouquinho da realidade deles.

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Além das praias lindas – de areia branca, preta e mista -, do mar cristalino, das paisagens áridas de cortar a respiração, a ilha é o lugar mais calmo, sereno, tranquilo e seguro que eu já pisei. Não bastasse a beleza e simplicidade da ilha, as pessoas me receberam de braços abertos. Empatia, humildade, carisma, afeto, amizade, sorrisos e uma ilha inteira por descobrir.

Só faz dez dias que eu voltei do Maio e não houve um dia em que não sentisse saudades de lá.

Voltei com o coração transbordando de tanto amor e carinho. Pode ser o clichê que mais faz sentido agora. Fazer voluntariado é receber tanto, aprender, crescer, se adaptar e evoluir. Cabo Verde me acolheu, me abraçou, me testou, me desfez e me conquistou.

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Eu mudei os meus medos, meus receios, minhas dúvidas e meus julgamentos. Desacelerei meus pensamentos, elevei minha paz espiritual, acalmei minha ansiedade, parei de olhar o relógio, perdi a preguiça de acordar às 5h e ultrapassei limites que eu nem lembrava que tinha. Preciso dizer que os primeiros dias foram os mais difíceis, mesmo já estando preparada para as novas condições, é sempre um choque sair da nossa zona de conforto. E, com certeza, foi esse choque que também me tornou uma nova pessoa. Quando saímos da nossa zona de conforto por decisão própria, muitas vezes sabemos toda a teoria de como encarar as dificuldades. No entanto, tive que descobrir em mim novas formas de pensar e reagir, tive que aceitar as minhas limitações e precisei me comprometer a desatar os meus próprios nós. Agora dou risada de mim mesma.

Cabo Verde me ensinou a doar o meu tempo para ouvir as pessoas, sem pressa de querer falar, e me mostrou que criar laços de amizade e demonstrar afeto é transformador. 

Eu aprendi todos os dias, com todas as pessoas com quem convivi. E pude ter a certeza de que precisamos de muito pouco para ser feliz. Eu não perdi a esperança de que podemos ser o que a gente quiser. 

Um mês de voluntariado foi muito pouco e muito rápido, mas com certeza a experiência mais intensa e transformadora que eu poderia ter. Foi a melhor coisa que eu fiz na vida até hoje e agradeço a Para Onde? por tornar isto real. 

Obviamente, nada do que eu escreva será capaz de demonstrar a real importância e o impacto destes dias no meu ser e na minha forma de pensar. No entanto, eu espero que – pelo menos – as minhas palavras despertem em alguém a vontade de fazer a diferença por aí e descobrir que o mundo é muito maior quando partilhamos.

“Neste mundo que espera por pessoas que façam acontecer, eu aconteci graças a vocês. Muito obrigada!”

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