Juliana, Ilha do Maio 🇨🇻

O meu nome é Juliana, Ju para os amigos e Jô para amigos que fiz no Maio.

Andava à procura de uma aventura, à procura de algo que me pudesse fazer crescer, tanto a nível pessoal, como a nível profissional. Estava a acabar o meu curso e precisava de uma aventura. Fiz algumas pesquisas na internet e encontrei a “Para Onde” e o Programa de Proteção de Tartarugas Marinhas, na Ilha do Maio. Não precisei de procurar mais, tinha encontrado exatamente o que procurava.

Quando embarquei nesta aventura, não embarquei sozinha, fui com a Inês, colega da faculdade e amiga para o resto da vida. Preparámos a viagem com a antecedência necessária. E, em outubro de 2019, viajámos rumo à Ilha do Maio. Minutos depois de chegarmos ao Maio, esperava-nos um imenso tubarão baleia, que nadava perto do local em que desembarcámos. Não poderíamos ter sido recebidas de melhor forma. Percebemos, desde logo, que o Maio era especial.

Ficámos instaladas na casa de uma família local, no Morro. Tivemos imensa sorte com a família que nos acolheu. As condições não são, definitivamente, iguais às que temos em Portugal, no conforto das nossas casas. No entanto, os encontros inesperados com ratinhos, baratas e lagartos do tamanho de crocodilos são hoje histórias hilariantes para contar. O facto de sermos recebidos pelas famílias locais é, sem dúvida, uma das mais-valias deste programa, uma vez que nos permite perceber realmente como é que as pessoas vivem e em que condições.

Quanto ao trabalho de voluntariado em si, quando chegámos à época de desova já tinha terminado, apesar de nos terem criado a ilusão de que ainda poderíamos ver uma ou outra tartaruga a desovar, assumimos logo que isso não iria acontecer. Apesar de termos ficado um pouco desiludidas, decidimos ir na mesma. E, o que tenho para vos dizer, é que não me arrependo nada desta decisão.

Não participámos nas patrulhas noturnas, uma vez que estas já tinham terminado, mas de resto, fizemos um pouco de tudo. Preparámos palestras e atividades para as crianças da comunidade sobre a importância de reutilizar os materiais, ajudámos a abrir os últimos ninhos do viveiro da Vila e aprendemos um bocadinho sobre aves, numa saída com o grupo responsável.

E querem que vos diga quando é que eu soube que valeu a pena? Quando, numa das primeiras ao viveiro da Vila, abrimos os ninhos e vi a primeira tartaruga bebé. Não sei descrever em palavras o que senti, mas foi mágico.

Passaram sensivelmente cinco meses desde que voltei e tenho muitas saudades do Maio. Saudades de ter como despertador as vacas a mugir, as galinhas a cacarejar e os porcos a correr pelas ruas. Saudades de chegar a casa e ter as crianças à espera para nos ensinarem mais um jogo ou canção. Saudades dos fins de tarde a ver as tartaruguinhas partirem em direção ao mar e, sobretudo, saudades da paz e calmaria que senti naquele pequeno paraíso.

O Maio é especial e trouxe de lá a certeza que quero voltar.