A experiência do João na Alemanha

As palavras são escassas, mas as lembranças são infinitas, durante duas semanas, para ser exato, quinze dias, aquelas pessoas que, numa fase inicial, eram simplesmente desconhecidos tornaram se numa espécie de família, comíamos, trabalhávamos, conversávamos, dormíamos… Nos primeiros dias sou sincero, senti o desconforto de habitar e conviver com pessoas de diferentes culturas, foi algo que me deixou um pouco de “pé atrás”, mas com o passar dos dias e com melhor conhecimento das personagens ao meu redor foi se tornando algo natural e espontâneo.

Lembro-me do à vontade ser tão grande que por momentos parecia que éramos todos amigos de infância e que falávamos na mesma língua, que, para ser honesto, foi dos aspetos que eu mais temia, sabia perfeitamente que o meu inglês era algo muito macarrónico e por vezes até de difícil compreensão, mas o importante é o espírito aberto de abraçar aquilo tudo e a necessidade de ajudar os outros, afinal de tudo és um voluntário lá, e orgulha-te disso! Com isso, todos nós fazíamos o esforço de compreender e ajudar até na comunicação e foi isso que me fez abrir e ser eu mesmo durante aquele período.

Mas perguntam vocês agora, como é a historia lá do trabalho no campo?

Aos meus olhos o trabalho era tão dissolvido nas risadas e conversas entre nós que é difícil para mim apontar momentos de grande esforço ou cansaço, por outro lado, posso falar do trabalho final, que isso sim fica connosco e é algo de orgulho pessoal e coletivo. Deixar para trás a nossa marca de trabalho é algo único e satisfatório na vida de um voluntário, já que é essa a nossa maior responsabilidade, ver os sorrisos, os agradecimentos e o bem-estar nas vidas das pessoas que estamos a ajudar, no final são esses mesmos sentimentos que te vão encher o coração.

Só quando estamos no desconforto é que aprendemos a lidar com os nossos problemas de forma individual e pessoal. Esses mesmo são o coabitar com pessoas desconhecidas, as saudades da famílias e amigos, os diferentes sabores das refeições, as acomodações, a higiene pessoal e coletiva e, sem duvida, a falta de tudo de bom do nosso amado lar. Isto tudo pode assustar uma pessoa à primeira vista, ainda mais uma pessoa como eu, que conta com a ajuda da mãe para tudo, mesmo tudo!

Mas pela primeira vez na minha vida não pensei em nada, que acrescento já é algo raro da minha parte, apenas disse para mim mesmo, aqui vou eu! E a prova disso é que em 4 dias ficou tudo tratado e aproveito, mais uma vez, para agradecer à organização pela forma fácil e rápida que trataram do meu processo.

Enfrentar os medos é algo que mais cedo ou mais tarde vamos ter de fazer.

Mas vocês voltam a perguntar, com toda razão, mais uma vez:

Isso é tudo muito bonito, mas voltavas a passar por tudo isso? Queres voltar a repetir a experiencia de voluntariado?

Isso é uma pergunta muito simples ao meu ver, SIM! Não existe melhor experiência para ti próprio. Eu só imagino a contribuição para a minha realização pessoal e laboral que estes conhecimentos possibilitam, conhecimentos esses que foram e serão adquiridos através do voluntariado. Concretamente nesta aventura, aprendi muito sobre outras culturas e vivi uma vida de campo, algo simples e natural ao lado de pessoas humildes que do campo tiravam a comida que era posta na mesa onde nos juntávamos todos os dias. Aprendi mais sobre a natureza e alguns aspetos vitalícios para a sua prevenção e proteção, tive os mais diversos workshops, desde fazer pomadas caseiras até domesticar cavalos, tudo isto e mais, sem acrescentar as coisas que conheci sobre mim mesmo.

Regresso a Portugal com uma nova mentalidade e com novas metas e isso é algo que faz uma pessoa crescer. Por isso, digo sem hesitar, um claro e simples SIM, aprendi isto tudo num só campo, porquê parar agora? Se posso continuar esta subida de conhecimento pessoal e de novas aptidões, o caminho certo é o voluntariado!