A experiência da Joana na Tailândia

Passou mais de um mês desde que terminei a minha experiência de voluntariado internacional de curta duração na Tailândia e parece incrível a forma como este sentimento que é plantado dentro de nós perdura durante tanto tempo. É como uma sementinha que fica, o trabalho agora é fazê-la sempre crescer. A minha passagem pela Dalaa international Volunteers for Social Development Association e por aquele pequeno e encantador arquipélago que é Koh Bulon tinha como objetivo o ensino não formal de inglês a crianças de duas ilhas deste arquipélago: Bulon Lay e Bulon Don com 34 e 80 crianças respectivamente, com idades compreendidas entre os 6 e os 15 anos.

É maravilhosa a forma como os locais recebem aqueles que chamam de “Farang” (pessoas de cor branca) cumprimentando sempre com um sorriso nos lábios e um gesto amistoso de mãos juntas ao peito com um caloroso “sawadd di kaa” que significa “olá”, oferecendo comida, ensinando os seus costumes. Ensinaram-nos como fazer aquela comida picante mas muito boa, que andar de pés descalços principalmente dentro de casa ou em espaços comuns como escolas e lojas é uma crença que devemos respeitar e que é normal a simbiose com toda aquela bicharada. Foi de facto um prazer poder viver naquele paraíso…

E o melhor de tudo, a cumplicidade que aquelas crianças criaram connosco num tão curto espaço de tempo. Nunca me vou esquecer dos sorrisos, das flores, dos abraços, das brincadeiras e dos momentos de aprendizagem que criámos todos juntos: crianças, professores, locais e voluntários. Aprendi tanta coisa que me atrevo a dizer que recebi tanto ou mais do que aquilo que dei. A simplicidade daquele povo e a forma como vivemos lá demonstra que não precisamos de muito para ser felizes. A forma como as crianças se entregavam a nós fez-me perceber que não falar a mesma língua não é um obstáculo porque as brincadeiras e os carinhos são universais. O ensino é muito diferente do nosso, muitas coisas ficam por aprender no entanto reina o convívio e a aprendizagem de um estilo de vida local e de actividades práticas adaptadas ao dia a dia da população.

Questionava muitas vezes qual a real diferença que fizemos na vida daquelas crianças num tempo tão reduzido e de que forma aquilo que ensinámos iria ser útil no futuro, mas na festa de despedida uma mãe disse-nos que aquelas crianças estavam muito mais felizes enquanto lá estivemos…Lembrei-me da formação pré partida, da Joana e do Manel dizerem que não iriamos mudar o mundo mas que com certeza iriamos fazer a diferença na vida daqueles com quem nos cruzaríamos nesta aventura e assim foi, tão verdade!! A eles também o meu muito obrigada por todo o apoio ao longo do processo , foram incansáveis. Todos aqueles com quem me cruzei ao longo desta aventura fizeram-me perceber que nada acontece por acaso e a todos aqueles que me apoiaram nos momentos de medos e ânsias antes da partida o meu mais sincero obrigada. E para o grupo Dalaa e para as crianças daquele arquipélago um grande “kob kun kaa” que é como quem diz “Obrigada” foi sem dúvida uma experiência que levo para o resto da minha vida. “Living together, learning together, working together”.