Joana, Santo Antão 🇨🇻

E é com muita pena minha que digo que chegou ao fim aquele que foi o melhor mês da minha vida. Sem dúvida que fazer voluntariado em Santo Antão foi a decisão mais acertada que alguma vez podia ter tomado. Esta ilha é, de facto, encantadora. As pessoas, as paisagens, as tradições… é tudo tão incrível.

Antes de chegar não fazia ideia do que ia encontrar, ia tranquila e sem grandes expectativas, mas assim que cheguei ao cais, apercebi-me de que não podia ter escolhido outro sítio. Os dias começavam sempre com muita alegria. Íamos ao Centro de dia do Alto de São Tomé, onde passávamos uma hora com os idosos de lá. Sinto um carinho e uma admiração enorme por eles. É fantástica a forma como eles encaram a vida, a sua energia e dedicação a tudo o que fazem. E a verdade é que esse tudo é mesmo tudo. Nunca vi nada assim, eles pintam, dançam, fazem colares de missangas, ginástica, vão à praia dar mergulhos, ou seja, basicamente tudo o que lhes propomos eles fazem e dão sempre o seu melhor. São um exemplo de vida e vão ficar para sempre no meu coração.

Algumas vezes por semana fazíamos também atividades com as crianças do ICCA (Instituto Cabo-Verdiano da Criança e dos Adolescentes). Lá, senti que era mais fácil ter conversas sobre temas atuais e foi mesmo bom ver como as crianças já tinham uma mentalidade tão avançada e tão aberta para certas coisas.

As tardes eram passadas com as crianças do Espaço Jovem. Sinto que aprendi muito com estas crianças. Foram tantas as coisas que fizemos juntos, desde pinturas, a apanhar lixo na rua, a distribuir postais no dia dos avós, até à dança do Taki Taki…

Nem todos os dias foram fáceis, mas claro que a experiência não seria a mesma se tudo fosse perfeito. É bem verdade que recebemos muito mais do que damos, o que me deixou de coração cheio e com muita pena de vir embora.

Já passou quase um mês desde o meu regresso, e todos os dias penso nas pessoas que conheci, nas saudades que tenho da boa disposição de toda a gente e acima de tudo, sinto-me muito grata pela família que criei durante o mês de julho. Obrigada à Matilde, à Rita, à Mali, à Inês A., à Lígia, à Inês C., à Inês D., ao Allan e à Elci. Nada disto teria sido possível sem vocês!
Sei, com toda a certeza, que um dia vou voltar!