A experiência da Isabel, Susana e João na Hungria

E assim chegou ao fim a nossa participação no projeto do SCI: “Teaching and Renovation with Children”, que decorreu entre 6 e 18 de Agosto de 2017, na Aldeia de Crianças SOS de Kecskemét, na Hungria.

As Aldeias de Crianças SOS dedicam-se a apoiar crianças órfãs, abandonadas, ou cujas famílias não lhes podem dar os devidos cuidados. Cumprindo a visão de que cada criança deve pertencer a uma família e crescer com amor, respeito e segurança, estas Aldeias promovem o bem-estar das crianças acolhidas, a aprendizagem de valores e a partilha de responsabilidades, elementos essenciais na construção dos seus futuros, proporcionando-lhes a oportunidade de crescerem no seio de uma família.
A Aldeia onde estivemos não é exceção e nós sentimos mesmo que contribuímos para o cumprimento desses objetivos, durante a nossa estadia lá. O principal objetivo do projeto foi demonstrar às crianças e aos jovens com quem partilhámos o dia-a-dia a importância do trabalho individual e em equipa e o real valor do trabalho realizado, nomeadamente na limpeza e cuidados dos jardins e espaços exteriores da Aldeia, assim como de alguns edifícios, como a biblioteca ou o espaço comunitário comum. Para além disso, tivemos oportunidade de planear, dinamizar e participar em várias atividades de tempos livres com as crianças e os jovens, dentro e fora do espaço da Aldeia.
Aqui ficam os nossos testemunhos individuais:
“É difícil exprimir por palavras as emoções, experiências e aprendizagens daquelas semanas. Quando fui não sabia bem para o que ia nem o que esperar, mas voltei de coração cheio. Fomos muito bem recebidos por toda a gente na Aldeia e senti que estava num ambiente de entreajuda, partilha e cumplicidade. Cada dia era um desafio mas nunca estávamos sozinhos e tínhamos o exemplo de pessoas incríveis que trabalham diariamente para dar estabilidade e a melhor infância possível àquelas crianças. O grupo de voluntários era fantástico e foi muito interessante conhecer pessoas de diferentes continentes e as suas culturas. Todos tivemos oportunidade de participar, dar sugestões e dinamizar as atividades e correu sempre muito bem. Com as crianças e jovens foi também muito fácil criar laços, ainda que não falássemos a mesma língua. Fizeram de nós família e deram-nos tudo o que tinham. Senti-me sempre em casa, com muito amor à minha volta e com vontade de dar o melhor de mim. O difícil foi ter de vir embora… Se estiveres a pensar fazer voluntariado, não penses demasiado e arrisca! Vai valer muito a pena!”

Isabel Felício

 

“Após completar 18 anos, percebi que tinha gosto em fazer voluntariado, fora do país, alargando os meus horizontes. Ingressei no campo de voluntariado das SOSchildren’s Villages em Kecskemét, Hungria. No meio de voluntários de todas as partes do mundo e entre crianças que nos receberam de braços abertos, os dias preenchidos passaram rapidamente. O programa chegou ao fim. Ficaram para trás momentos de cultura, diversão, e tristeza na partida. Quando cheguei a Portugal realizei que parte de mim ficou na Hungria e que isso é ser voluntário. É entregar-me por inteiro às crianças e voluntários que estiveram comigo durante as duas semanas. Já tinha tido experiências divertidas, com programas incríveis. Mas esta foi diferente. Para além da diversão momentânea, das gargalhadas e brincadeiras, há um trabalho que foi feito e não terminou nas duas semanas em que lá estivemos. É fantástico perceber o impacto obtido. Mas por outro lado, fazer voluntariado não é apenas dar. Isso é uma ilusão. Eu, em duas semanas recebi tanto ou mais do que tinha para oferecer. Tanto dos outros voluntários como das crianças, que numa atitude altruísta se entregaram igualmente a nós. Num balanço final, fica o sentimento de missão cumprida e desenvolvimento interpessoal. Fica a vontade de voltar, de apoiar e ser apoiado.”

João Verdelho

 

“Esta experiência foi tudo e ainda mais do que eu estava à espera. O grupo de voluntários/as era incrível, todos/as deram o seu melhor e correu tudo muito bem. Os momentos de trabalho e partilha foram enriquecedores e fiquei fascinada por ter conhecido e ter tido oportunidade de trabalhar com pessoas tão jovens, já com experiências de vida tão ricas e com tanto para oferecer. Na Aldeia toda a gente nos recebeu de braços abertos. As pessoas que lá trabalham são super dedicadas às crianças e senti que a dedicação delas se estendeu também a nós, por isso me senti sempre muito querida e integrada. Querida, senti-me também pelas crianças. Deixei lá tudo… mas trouxe imenso… Tanto que não cabe no meu coração, nem consigo traduzir adequadamente em palavras. Estou mesmo muito feliz por ter tomado esta decisão! Obrigada!”

Susana Casimiro