Inês, Santo Antão 🇨🇻

O ano de 2019 será sempre lembrado pelas felizes memórias que guardo comigo depois da minha primeira experiência de voluntariado internacional.

Na minha infância, em férias com família,  tive a oportunidade de conhecer Cabo Verde. Já naquela época fiquei tão fascinada que, na hora de decidir qual o destino para me prestar a esta iniciativa de voluntariado, não surgiram dúvidas nem receios: Porto Novo, na ilha de Santo Antão, Cabo Verde. 

Se antes da partida estava ansiosa e expectante, depois de lá estar sentia, em cada pessoa, em cada família, em cada experiência, uma enorme vontade de conhecer mais, saber mais, provar mais, partilhar mais. A ilha tem lugares e paisagens deslumbrantes, a língua é contagiante, a cultura única e especial. As pessoas recebem-nos com abraços calorosos, sorrisos rasgados e beijos, muitos beijos, o que nos leva a sentir, de imediato, um conforto e um sentimento de pertença enormes. 

Apesar dos poucos recursos e das circunstâncias com que lidam no quotidiano, percebi que recebem os voluntários e as suas iniciativas com grande estima, reconhecimento e, sempre, com grande vontade de colaborar e ajudar. 

No projeto que integrámos , os nossos campos de atuação incidiram no “Espaço Jovem” – espaço destinado às crianças e  adolescentes – e no “Centro de Dia” que presta acompanhamento a um grupo de idosos. Enquanto voluntários tivemos a possibilidade de desenvolver diversas atividades, pensadas e partilhadas no sentido de se mostrarem produtivas e enriquecedoras, tanto para os jovens, como para os idosos.

Com a dinamização das atividades para estas duas faixas etárias pretendíamos, essencialmente: a ocupação de tempos livres com temáticas úteis e ajustadas; a aquisição de competências por via da criatividade e da aprendizagem; a partilha de ideias, opiniões e preocupações; a promoção da sensibilidade para as questões ambientais, da saúde, da família, da educação, entre outros. 

Esta experiência permitiu-me aprender que voluntariado é uma relação de troca permanente, de afetos, de atenção, de experiências e resulta numa enorme aprendizagem e crescimento que, estou certa, me acompanharão sempre, enquanto pessoa. Porto Novo ensinou-me serenidade e valorização do que tenho e do que sou, deu-me fins de tarde na Praia d’Armazém, levou-me até pessoas admiráveis e ensinou-me a “fcá dret”. A pior parte desta experiência? A sodade que deixa.