A experiência da Filipa na Polónia

Que oportunidade esta que vocês me deram…! Confesso que pensava que me fosse custar mais habituar a isto. Em poucas horas, senti-me em casa. E em família, como dizemos entre nós, voluntários. Esta foi a casa que escolhi durante estas semanas e, mesmo que esta não tenha sido a família escolhida por mim, não me podia ter calhado sorte maior. Não temos boa internet (nem nos 5 minutos em que a consigo apanhar por dia), não temos um bom colchão (não temos colchão, sequer), não podemos falar a nossa língua. Aqueles poucos minutos diários online servem para dizer aos meus que está tudo bem e que estou a adorar cada segundo; e, mesmo que o sítio em que durmamos não seja nada confortável, nem isso supera o sorriso com que tenho adormecido e acordado. E nem a falta de café que sinto (não sabem, mas por dia, tomava mais que uma mão cheia deles) supera a falta que disto vou sentir. Somos 7 voluntários; vim para a Polónia mas, para além dela, também levo comigo um bocadinho de Espanha, Itália, Rússia… “Porquê a Polónia?” Foi a pergunta que mais ouvi nos dias antes de chegar. Porque não?

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 Um sorriso é preciso a qualquer altura, em qualquer lugar e a qualquer pessoa. E as 40 pessoas, incluindo cada criança, que conheci sorriram desde o início. Ainda nem daqui saí e já quero muito voltar… eu pensava que sabia (mas no fundo nem sabia para o que vinha) o quão bom poderia vir a ser esta experiência. Não há melhor forma de viajar, conhecer o país, as pessoas, cultura, comida, ou mesmo a nós próprios. Não há forma melhor de ajudar e aprender (já aprendi tanto…). As crianças são incríveis, e é incrível também a forma como elas nos ensinam mais do que a maior parte dos adultos. As equipas de voluntários e da organização colocaram-me à vontade desde o início e, desde o início percebi que havia coisas que não iam ser nada fáceis. Nem todas as crianças falam inglês; aliás, poucas falam. Mas, nem essa barreira me afastou deles. Há gestos que falam e sorrisos também. Aprendi que o melhor presente que podemos dar a alguém é o nosso tempo; o segundo é o nosso sorriso. E se os juntarmos, fazemos uma musica perfeita. Vim para longe, com o meu tempo num bolso e o sorriso no outro.

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Convosco, aprendi a não adiar os meus sonhos.

(Espero que esta não tenha sido das últimas vezes que falamos. Sei que não. Obrigada por tudo, por acompanharem e sobretudo por quererem acompanhar cada passo de quem, como eu, se aventura desta maneira. Todos deviam fazê-lo pelo menos uma vez na vida.).