A experiência da Filipa na Ilha da Boavista, Cabo Verde

O regresso foi bem mais doloroso que a partida.

Em Setembro embarcava na primeira experiência de voluntariado fora de Portugal. Os nervos de principiante iam tomando conta de mim desde o momento em que recebi a mensagem do Para Onde? “Foste aceite”.

O frenesim de partir era grande e acompanhado sempre de questões “e se”, “porque”, “como será” e de repente la tinha chegado a hora de partir em busca do desconhecido.

Entrei no avião rumo à ilha da Boa vista, 4h de ansiedade para pisar terra firme e começar a ser absorvida pela energia cabo-verdiana. Fiquei a trabalhar na associação ACUB que dá apoio a cerca de 150 crianças e as acolhe durante o dia e presta os cuidados necessários para que possam progredir por um futuro melhor. Fui recebida de braços abertos por todos e senti-me acarinhada cada dia que lá permaneci.

Confesso que o primeiro impacto com o bairro Boa Esperança ou “Barraca” como é carinhosamente conhecido é de respirar fundo e pensar como é que em pleno sec. XXI existem pessoas a viver em condições tão precárias, mas rapidamente esse pensamento se desvanece porque somos absorvidos por olhares doces e sorrisos rasgados por todo o lado, daqui e dali se ouve um “Bom dia”, “tud dret” ,”tia tia”.

Nestas 3 semanas tive o privilégio de trabalhar com crianças entre os 3 e 5 anos e que, como em qualquer outra parte do mundo querem brincar, estão no auge da sua energia. Por vezes conseguir captar atenções nem sempre é bem-sucedido, mas não desesperem não se sintam frustrados hoje não correu bem amanhã será certamente melhor, este é o lema que trago de lá! :)

Trago comigo milhares de recordações que jamais esquecerei, cada sorriso, cada abraço apertado. A experiência foi, sem margem para duvida, a melhor que já vivi. Um conselho para quem vai: Vão de coração cheio, despidos de preconceitos e ideias pré- concebidas. Apenas… vão! Espera-vos um povo caloroso, com um calor que só eles sabem oferecer.