A Experiência da Donzília no Tarrafal

Olá, eu sou a Donzília e cheguei recentemente do Tarrafal, Ilha de Santiago, onde estive durante 2 meses a viver a minha primeira experiência de voluntariado internacional. Sempre tive vontade de ter uma experiência de voluntariado fora de Portugal e com uma realidade social bastante diferente da que conheço, no entanto achava sempre que era bastante complicado, mas com a ajuda do Para Onde? o que era complicado passou a muito fácil.

Quando comecei a ver os programas de voluntariado internacional no Para Onde?, a única condição que coloquei a mim própria foi a de que iria para um país onde a língua portuguesa também fosse falada, escolhi a Ilha de Santiago mas não sabia muito sobre o que ia encontrar, mas isso não importa porque o melhor mesmo é ir com a expectativa abaixo de zero, assim aproveitamos muito melhor cada momento.

Antes de partir para esta aventura tinha receios, quem não tem? Será que vai correr bem? Vou gostar? Vou me adaptar? E se acontece alguma coisa? Estou tão longe de casa! Dúvidas essas que penso serem transversais a qualquer voluntário misturadas com um pouco de ansiedade de quem vai para uma terra desconhecida, mas depois tudo passa e o que era desconhecido passa a ser a realidade do teu dia-a-dia.

O dia começa cedo, mas não importa, porque vais receber logo pela manhã imensos sorrisos, inicialmente, pelos meninos do jardim, uma vez que apanhamos o mesmo carro e depois por todos os outros meninos da Delta, que vão entrando para o carro que já vai cheio, mas onde existe sempre espaço para mais uma criança e por todos os outros que já se encontram à nossa espera na Delta. Acabámos de chegar e agora é tempo de perceber quem tem treinos e quem tem trabalhos para fazer. Quem tiver trabalhos, tem de ir para a sala de estudo.

Já todos fizeram os trabalhos, então agora é hora de ir brincar, jogar à bola, fazer um desenho ou de imaginar alguma coisa para fazer na Sala de Artes, vamos fazer um mealheiro com uma lata, um porquinho com uma garrafa, um comboio com copos de iogurte ou porque não fazermos um avião? Existem tantas coisas que podem ser feitas, apenas precisamos de um pouco de imaginação. Aprendemos que com tão pouco conseguimos fazer tantas coisas!

Aproxima-se a hora de almoço, e por isso descemos até ao centro, acompanhados sempre pelos meninos que moram perto do caminho que fazemos, uma vez que também eles vão para casa almoçar para depois irem para a Escola. Já almoçámos e lá estamos nós novamente a espera do carro, agora sem os sorrisos dos meninos do Jardim, mas com um carro cheio de outros meninos reguilas.

De regresso à Delta, é tempo de ajudar estes meninos reguilas que, cada um à sua maneira, ocupa um lugar muito especial no nosso coração! Depois de estar tudo concluído, é hora de regressar ao centro do Tarrafal com o sentimento de mais um dia cumprido e com mais histórias para guardar dos momentos que vivemos.

Fica aqui um bocadinho do que se passa no dia-a-dia na Delta, com tantas outras coisas que não consigo enumerar, ficam estas, principalmente da sala de estudos e da sala de artes porque foi onde eu passei mais tempo durante a minha experiência.

Antes de candidatar-me a este programa, tentei perceber pelos testemunhos dos outros voluntários aquilo que sentiram e viveram nas suas experiências para ficar com uma ideia do que ia encontrar. Hoje percebo que cada pessoa vive esta experiência de uma maneira e intensidade diferentes.

Por isso, se ainda estás indeciso acerca do que fazer, e estás a ler este testemunho para tentar eliminar alguns dos teus receios, não penses mais: vai… vai e pronto, porque certamente vais adorar como eu adorei, é uma experiência inesquecível!

Segue para esta aventura com o coração cheio de boa vontade e garanto-te que vais voltar com o coração a transbordar de felicidade, porque aquilo que recebemos é muito maior do que aquilo que damos.