A experiência do Diogo em S. Vicente, Cabo Verde

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras. Tudo o que guardo no coração vale muito mais do que o que escrevo. É tão difícil colocar em palavras tudo o que vivi no mês de maio de 2018. Saber que naquele lugar eu fui realmente feliz. Quando digo realmente feliz é ser feliz como nunca tinha sido antes na minha vida. Consegui perceber que a felicidade pura existe e eu pude vivê-la! Obrigado a todas as peripécias da minha vida que me levaram a fazer voluntariado. Que me levaram para a Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, com o coração aberto.

Fui sem esperar nada. Fui sem pensar no que podia encontrar. Voltei com o coração a transbordar. Voltei com a certeza de que é lá que pertenço. É muito bonito dizer que se fez voluntariado em África, mas quem sente realmente o voluntariado em África sabe que ficamos com o coração divido entre cá e lá.

Tem sido tão difícil viver as rotinas de Portugal, no meio do stress, das chatices, dos pequenos problemas. Sim, pequenos! O que em Portugal é um problema, em São Vicente nem sequer chega a ser. Um exemplo tão simples como o cair e levantar logo a seguir, não ter uma borracha e ter de a dividir com mais quatro colegas, não ter fruta e poder partilhar uma pêra com mais cinco colegas. São coisas simples, são coisas que marcam.

Obrigado ao Centro da Ribeira da Craquinha, à Sueli, ao Silvino, à Sara, à Nady, a todos. Obrigado ao Centro da Pedra Rolada, ao Maxi e à Simone. Obrigado às crianças que, de manhã, me fizeram voltar a conjugar verbos, identificar o sujeito na frase, estudar o aparelho reprodutor. Obrigado às crianças que, de tarde, me fizeram voltar às contas de somar, à tabuada, às contas de dividir.

Obrigado às crianças que todos os dias me faziam cada vez mais feliz. Hoje não passo um dia sem ouvir um “esfrega esfrega”, um “faz gostoso”, um “dói demais”, um “cheguei”. Obrigado Para Onde! Obrigado por fazerem com que descobrisse onde há felicidade, onde posso viver com os ideais que defendo, com pessoas de bem, com o espírito de alegria, onde aprendi que “para quê dormir se quando morrer vou dormir eternamente”.

O maior aperto no coração foi quando o avião descolou, saiu do solo cabo-verdiano. Já a chorar compulsivamente, uma lágrima desce-me pelo rosto no preciso momento em que o avião levanta. Vou voltar, disso não há qualquer dúvida. Não foi por acaso que marquei na pele o meu amor por aquela ilha, por aquela gente. Até lá, levanto-me todos os dias e digo a mim mesmo “Tud dret? Manera!”, para que cada dia custe menos, para que cada dia possa sentir que ainda estou lá!