Diana, Estónia 🇪🇪

Como começar… Nem sei, honestamente… Acho que a primeira coisa foi decidir que queria fazer voluntariado no estrangeiro. Falei com imensas pessoas e fiquei a conhecer a “Para Onde?” através de uma amiga minha. Acho que isso me deu alguma segurança, só o facto de saber que alguém que eu conheço e em quem confio já tinha viajado sob a “tutela” e organização desta associação, tranquilizou-me. Este ano quis começar com algo mais pequeno, por isso, procurei ações de voluntariado de curta duração, procurei algo na Europa, mas que tivesse a ver com crianças e foi assim que encontrei “English in the Camp”, em Tallinn, durante 10 dias. Quando vi essa oportunidade, soube que era esse o programa que gostava de fazer: ensinar inglês a crianças dos 6 aos 10 anos. Posto isto, a parte mais complicada chegou, tive de escrever muitos textos e tive de responder a muitas perguntas, algumas delas até considerei difíceis, porque por vezes é difícil passar para “papel” aquilo que é sentido, mas, paulatinamente, escrevi e preenchi tudo o que era necessário, enviei e fiquei muito ansiosa à espera da resposta. Foi algo muito rápido e ao fim de poucos dias, o Manel mandou-me um mail a dizer que fui aceite. A partir daí foi preciso organizar tudo, incluindo a data da formação que tem de ser feita antes de a aventura começar. Vou ser muito sincera, quando me foi dito que a formação tinha uma duração de quatro horas, o meu primeiro pensamento foi: “Meu Deus, tanto tempo!!! Como assim quatro horas para dizer tão pouco?”. Não podia estar mais enganada. Antes de mais, as quatro horas passaram a voar e além de divertida, a verdade é que, mesmo num campo de curta duração como foi o meu, dei uso a praticamente todos os conselhos que me foram dados! Tudo se revelou, de facto, tal como o Manel e a Joana instruíram, e chegaram mesmo a acontecer situações que eles expuseram durante a formação.

Avançando para o derradeiro momento, a viagem e os 10 fantásticos dias:

Confesso que, mesmo já tendo trabalhado com crianças, estava um pouco assustada, mas tão empolgada. Foi a primeira vez que viajei para tão longe sozinha e no momento em que cheguei ao aeroporto, procurei também por quem me ia buscar. Ao fim de pouco tempo encontrámo-nos e primeiro foi-me complicado perceber o sotaque inglês do querido rapaz Artjom, mas depressa me habituei. Levou-me à escola onde eu e a outra voluntária íamos ficar e pouco tempo depois, ela também chegou. Conversámos as duas um pouco, fizemos planos sobre o que visitar nos tempos livres e preparámos tudo para o dia seguinte. Na manhã seguinte, chegou a Jelena, que nos deu umas boas-vindas calorosas, e conhecemos também a Kärt, outra professora voluntária que ia ajudar no campo. A partir daí, começaram a chegar imensas crianças, todas de uma vez e o barulho, alegria e diversão explodiram na sala! Foi um momento que me marcou, o primeiro dia de chegada de todas as crianças ao campo. Tentei aprender o nome delas rapidamente, o que não foi uma tarefa propriamente fácil, já que o próprio dialeto e fonética é todo ele muito diferente do português, mas a verdade é que acabei por encontrar palavras portuguesas muito parecidas a palavras russas; a palavras estonianas, nem tanto, mas as crianças e as professoras ensinavam-me russo e eu ensinava-lhes português. Tenho de admitir que elas se saíram muito melhor do que eu em pronunciar palavras em português, em comparação com as minhas tentativas de pronunciar frases completas e corretas em russo ou estoniano! O campo funcionava de uma maneira sistemática e simples: de manhã as crianças tinham jogos que fomentavam o espírito de equipa e o inter-relacionamento, sendo que esses jogos eram a nossa principal tarefa (isto é, dos voluntários). Da parte da tarde, íamos sempre visitar algo, fazer jogos, íamos passear a jardins, fazíamos workshops e também preparávamos a peça de teatro que as crianças iam apresentar aos pais, no final do campo.

Nas folgas que tivemos, ao fim-de-semana, e no final de cada tarde, eu e a Nastya (a voluntária muuuuito querida com quem partilhei esta experiência) fomos conhecer a cidade, desde a belíssima parte velha da cidade até uma das maiores cascatas da Estónia – a cascata de Jägala -, sendo que pudemos contar com a ajuda da família da Olga, a responsável pelo campo, para nos levarem a alguns sítios que eram mais distantes ou de mais difícil acesso. Assim, foi possível assimilar toda uma diferente cultura, numa cidade lindíssima, que é de facto, tão diferente de Portugal, desde as ruas, à gastronomia (um pequeno à parte que me marcou: na Estónia não comem alface, e eu que não gosto desse tal legume verde, mas ao fim de 10 dias sem ele, acho que desenvolvi uma certa simpatia por essas folhas verdes), da moda à arquitetura, que é simplesmente lindíssima e do próprio ambiente que criam as pessoas que vivem em Tallinn, à meteorologia, que é louca, mas tão gira de vivenciar – num momento está tanto sol que é preciso procurar uma sombra, como ao fim de 10 minutos está a chover e um vento que obriga até a pôr um cachecol em torno do pescoço.

Saí desta cidade e deste campo com uma nova experiência vivida, com novas amizades, com um novo trabalho desenvolvido junto de crianças fantásticas e que se esforçaram imenso para concretizar uma peça de teatro de um nível de inglês requerido bastante elevado! Senti-me tão orgulhosa delas no final e tão comovida quando se despediram de mim com um abraço apertado. Espero que um dia se lembrem deste campo de verão, não necessariamente de mim, mas de tudo o que vivenciaram, de tudo o que rimos, do quanto se divertiram, o que visitaram, e claro, o que aprenderam. Eu saí com uma nova visão sobre a educação, desenvolvi uma grande aptidão: ter paciência, e sem dúvida que acima de tudo, diverti-me muito!

P.S.: Os meus mais sinceros agradecimentos por todo o apoio tanto do Manel como da Joana, porque foram duas pessoas que estiveram a acompanhar toda a experiência, desde o momento em que me candidatei até regressar à nação. Foram sempre muito atenciosos e estiveram sempre atentos ao que eu precisava, e se estava sempre tudo bem, incluindo os momentos de levantar voo e aterrar em solo estrangeiro!