A experiência da Diana na Boavista, Cabo Verde

Já passaram alguns dias desde que voltei e as saudades são cada vez maiores, a vontade de voltar não desaparece e a cabeça teima em reviver os momentos passados nesta Ilha.

Assim que cheguei tive logo a oportunidade de conhecer a associação que me acolheu por 7 semanas e com quem tive a oportunidade de vivenciar momentos muito bons. Os primeiros momentos foram de um impacto enorme, perceber que em pleno século XXI ainda existiam pessoas a viver em condições tão más foi de uma tamanha tristeza. O certo é que sabemos que há pessoas a viver em condições más, mas vivemos no nosso mundo e não ligamos muito a isso, só mesmo quando conseguimos ver com os nossos próprios olhos e sentir é que começamos a dar mais atenção ao que anda à nossa volta.

Porém, esse sentimento apaziguou-se assim que entrei na primeira sala de aula. A sala tinha umas 30 crianças com 3 anos e todas começaram a gritar pela “tia” nova que tinha acabado de chegar, alguns mais envergonhados ficaram no lugar deles, mas outros começaram logo a abraçar-me e a dar-me beijos sem fim. E assim foi, durante as sete semanas que passei naquela associação. Todos os dias era recebida por eles como se fosse o primeiro dia, era preenchida de beijos, abraços, carinho e sorrisos do tamanho do mundo.

Era um sentimento tão bom que acordava todos os dias de manhã cedo cheia de vontade para voltar para eles, e à noite deitava-me cansada, por vezes sem forças, mas ao mesmo tempo realizada e feliz.

As educadoras e os funcionários da associação foram impecáveis, receberam-me da melhor forma possível e sempre me ajudaram e apoiaram em tudo. A ilha é fantástica e o povo é incrível, sempre muito acolhedores e queridos e
com eles passei experiências e momentos únicos e inesquecíveis.

Mas então, perguntam vocês, não houve momentos maus? Houve, claro que houve, houve momentos em que me faltou a paciência, na qual me chateava com eles, na qual não conseguia nem por nada mantê-los sossegados e atentos, mas não desistia, tentava sempre arranjar uma forma de resolver o problema e de no fundo lhes dar a volta. Umas vezes conseguia outras nem por isso, e ai tinha de me render àquela cara deles a olharem para mim literalmente com o olhar mais meigo e ao mesmo tempo mais traquina de sempre.

A despedida foi a parte mais difícil de todas, as lágrimas corriam e teimavam em não parar, as crianças olhavam para mim sem saber o que fazer, alguns abraçavam-se a mim outro davam-me festas e outro andavam pela sala a dizer a toda a gente que a “tia” estava a chorar.

A quem está a pensar em fazer parte deste projeto, só posso dizer que vale muito a pena, para irem sem medo, com o coração cheio e com a mente livre. Foi uma experiência única, na qual aprendi muito e mudei muito a minha forma
de ver as coisas Acredito que mudei um pouco a vida deles, mas eles sem duvida mudaram a minha por completo. <3