A experiência da Catarina em Moçambique

Como sumarizar este intenso mês em poucas linhas?

Cheguei a Moçambique sem qualquer tipo de expecativas, vim de coração aberto como pediu a Susana. Fomos extraordinariamente bem recebidos na Aldeia de Mahungo, tanto por adultos como crianças. Fomos observadores durante as primeiras duas semanas, e a partir daí começámos a propor algumas mudanças em conjunto com as professoras. Tanto a Lolinha como a Júlia têm imensas ideias e são muito criativas, só precisam de alguém que puxe por elas como todos nós.

Desde o princípio que queria muito conhecer cada criança mais a fundo, mas a verdade é que 1 mês é muito pouco tempo. Quando elas já estavam a depositar alguma confiança em nós, viemos embora. Por isso recomendo a quem venha fazer um projecto deste género a ficar o maior tempo possível. Por um lado custa mais porque nos apegamos muito aos miúdos, mas por outro lado poder vê-los crescer e evoluir é muito gratificante.

Acho que acima de tudo, no pouco tempo que estive em Moçambique com a Escolinha Kutsaca, tirei muitas lições que secalhar noutro lado não teria retirado. Aprendi a ser mais paciente (a cultura africana é outra e as coisas acontecem a um ritmo diferente, consequência disso é a calma e leveza com que levam a vida), aprendi que devemos agradecer sempre por tudo o que temos e vivemos, aprendi que é possível ser-se muito feliz com pouco e aprendi a
dar valor às pequenas coisas que dantes menosprezava.

Tudo o que nos era pedido pelas crianças era que lhes déssemos um pouco de afecto e atenção, o pedido mais simples e honesto que pode haver. E foi o que tentámos fazer. No final o balanço é mais do que positivo. Espero continuar a acompanhar o crescimento dos miúdos e a evolução da Escolinha, mesmo que seja à distância. Porque todos eles têm agora um lugar no meu coração.