Bruna e Débora, Guatemala 🇬🇹

“Nada é tão nosso quanto os nossos sonhos”, foi assim que encaramos a aventura, uma vez que sempre foi um dos nossos objetivos de vida, fazer voluntariado fosse onde fosse. Neste caso e juntando o útil ao agradável, uma vez que somos enfermeiras, realizamos Voluntariado numa clínica na Guatemala. Como uma aventura nunca vem só para além de termos feito uma longa viagem de avião, entre escalas e horas de espera ainda fizemos mais uma viagem de 5 horas numa camioneta com a música nas alturas, com vendedores a entrar e a sair que vendem tudo e mais alguma coisa e que fazia as curvas e contra curvas como nunca tínhamos visto… e lá chegamos nós, no dia 30 de junho deste ano.

Chegando a clínica e logo no primeiro dia atendemos todos os utentes, juntamente com a restante equipa. Aqui começamos a perceber algumas das patologias mais comuns e quais os problemas para os quais teríamos que combater. Sabíamos que estava a nossa espera uma realidade muito diferente e assim foi, aprendemos a lidar com pessoas totalmente diferentes de nós, com uma cultura muito própria e com costumes também muito diferentes.

Foi sem dúvida uma experiência inesquecível onde pudemos realizar vários procedimentos tal como fazemos em Portugal, no entanto com algum sentido de improvisação porque os recursos nem sempre eram os mesmos, conhecer uma cultura totalmente diferente da nossa, diferentes costumes e diferentes pessoas. Para além de termos lidado e convivido com os adultos que iam à clínica também convivemos muito com as crianças que frequentam a escola situada ao lado da clínica, aproveitávamos os intervalos para brincarmos com eles e também, conhecer e conversar com os alunos mais velhos. Além de toda esta experiência aprendemos a conviver com a restante equipa com quem partilhamos estadia, desenvolvemos o sentido de partilha e comunicação, porque havia uma diversidade muito grande de nacionalidades entre os voluntários, dividimos as tarefas entre todos, entre cozinhar, limpar, organizar a clínica, dividir horários e trabalhos.

Aos domingos era dia de ir ao mercado fazer as compras para a semana, sendo que seríamos divididos por dois grupos (os que ficavam encarregados dos vegetais e outro responsáveis pelas frutas), pois a nossa alimentação era vegetariana. Contudo ficava sempre uma pessoa na clínica responsável por qualquer emergência que aparecesse. Foram nestas compras que aprendemos a regatear preços, porque em nada haviam preços estipulados e, desta forma, conseguimos também por em prática o Espanhol. Houveram dias sem eletricidade e sem água na clínica, muitos bichos diferentes do que existe cá em Portugal, contudo estas situações foram superadas da melhor forma possível, pois tivemos sempre a nossa mente aberta e sabíamos que a realidade lá seria completamente diferente da que temos.

Apesar de vários percalços e conflitos de ideias, foi uma experiência enriquecedora para ambas, da qual não nos arrependemos em nada da nossa decisão e aconselhamos vivamente a que toda a gente tenha uma experiência de voluntariado uma vez na vida porque, realmente, terminamos a experiência a pensar de outra forma e a dar valor a “coisas” que já eram tomadas como garantidas. Se deixámos um pouco de nós na Guatemala, a Guatemala deixou muito dela no nosso coração.