Bianca, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

A verdade é que as palavras são tantas e tão poucas para descrever tudo o que vivi e senti durante aquela que posso dizer ser “a melhor experiência da minha vida”.

Dia 31 de julho aterrei em Porto Seguro e, de coração aberto, mergulhei nesta aventura. No litoral do estado da Bahia, encontrava-se Arraial d’Ajuda, a vila que se tornou a minha casa durante o mês de agosto. O mês mais cheio de sempre mas o que mais rápido passou. O mês mais intenso e gratificante que tive mas o que mais desejava que não acabasse.

Todos os dias começavam bem cedo mas nunca sem vontade de sair da cama. Os abraços e beijos das crianças da AFC e o “Bom dia” sorridente de todos recarregavam todas as energias que pensávamos não ter. Era tão bom chegar, sentir todo aquele ambiente animado e ouvir todas aquelas vozes “Bom dia tia”, “Hoje vem para a minha sala?”, “Oiiiii Pro”…

Todos os pequenos gestos e momentos tornaram-se mágicos e ficarão para sempre guardados no meu coração. Toda a cultura e costumes diferentes dos meus (incríveis), todas as palavras e expressões que aprendi (a dizer e a não dizer), todas as músicas que tentei aprender a dançar (mas sem sucesso), todas as histórias que conheci (e que guardarei para sempre) e todos os obstáculos que foram aparecendo (e sendo ultrapassados) tornaram esta aventura muito muito especial.

Ser voluntário junto de todas as crianças da AFC é ser tudo. É ensinar mas também aprender, é dar mimo mas também estar de braços abertos para o receber, é ensinar o simples “Desculpa”, “Por favor” e “Obrigado” mas ser o primeiro a dar o exemplo. É estar junto de todos, ajudar na cozinha, brincar na creche, desenhar e escrever nas salas, jogar e dançar no salão e na quadra. E o coração gigante de todas aquelas crianças, os seus olhares, sorrisos, abraços e beijinhos, pedidos de atenção e de ajuda, desenhos, cócegas e palavras mágicas (“Titia, te amo”, “Não vá embora Pro”) são as memórias mais valiosas que poderia (e que trouxe) desta experiência.

No entanto, nada seria igual se não estivessem do meu lado mais quatro raparigas. Quatro raparigas diferentes mas com o mesmo objetivo. Objetivo esse que nos uniu e que fez com que sentíssemos que nos conhecíamos desde sempre. Foram tantas as emoções, as aventuras, as histórias, as gargalhadas, as limpezas a fundo, os sustos e descobertas de pequenos seres “inesperados”, as cantorias e tentativas de dança, a vontade constante de ir comprar leite condensado, brigadeiro, coxinhas, churros, tapiocas, açaí… Sem dúvida que elas tornaram esta experiência ainda mais única e especial.

É impossível ir e voltar da mesma maneira. Agosto foi o MÊS. O mês que me transformou, me ajudou a ver o mundo com outros olhos, me ensinou a valorizar ainda mais as pequenas coisas, a largar o que não é indispensável, a viver intensamente todos os momentos, a descontrair perante as adversidades, a sorrir perante a vida. Agosto foi o mês que me ensinou a AGRADECER. E agradeço a esta vila por me ter feito crescer, agradeço a todos os profissionais e voluntários da AFC por me terem acolhido e feito sentir em casa em todos os momentos e agradeço a todas as crianças por me terem ensinado tanto e por me terem enchido o coração de amor e vontade de voltar. Agosto foi o mês em que fui eu, em que tentei dar o melhor de mim e em que fui, verdadeiramente, feliz.

E SIM! A vontade de voltar é gigante. Para Arraial e para a AFC é apenas um “Até Já”.