A experiência da Andreia em Itália

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce

Pensar em voluntariado é pensar em aventura e desconforto; é sair da rotina e esquecer o que já conhecemos e sabemos. Spessa é uma localidade esquecida, numa Itália muito rural e pequena, sem apoios, envelhecida.

Apesar de a Lombardia ser a região mais rica de Itália e de esta localidade se encontrar a uma hora de Milão, a disparidade não podia ser maior. Esqueçam o luxo, a acessibilidade, as lojas de renome. Spessa tem como ex-libris o rio Po e o Ostello e Centro Culturale Artemista. O governo não investe na cultura e, se o faz, fà-lo com restrições que são difíceis de aceitar, sobretudo quando se quer ser fiel àquilo em que se acredita e à arte, sem malabarismos nem artimanhas.

O Ostello e Centro Culturale Artemista é gerido pela Elisa e pelo Mauro, dois jovens corajosos que acolhem pedacinhos do mundo na pacata Spessa, colocando-a no mapa. Aprenderam a fazer de tudo um pouco e ensinam tudo aquilo que aprenderam: os voluntários pintam, raspam paredes, arrumam, tapam buracos, limpam… O trabalho é muito, mas a satisfação de o ver feito compensa o esforço e a roupa suja.

Trabalhamos cerca de 6h diárias (mais nos últimos dias, dada a vontade de deixar tudo bonito), cozinhamos, passeamos, conhecemos Pavia, mergulhámos no Trebbia, gravamos músicas no estúdio Artemista, dissemos adeus. Foram duas semanas muito preenchidas, animadas e exigentes, no que toca ao empenho e trabalho dos voluntários. Duas semanas que serviram para nos lembrar que, ainda que difícil, é sempre recompensador lutar por aquilo que nos move e que nunca é desperdiçado o tempo gasto a planear e a arquitetar o que se sonhou.

A Elisa e o Mauro procuram criar uma Spessa melhor, multicultural, culta, rica em valores que alguns já esqueceram; procuram a magia que só existe em quem, com fé, vê que é possível ir mais além.