Ana Isabel, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Quando eu, mulher de 25 anos, com um ar de criança, decidi que a minha próxima aventura envolvia embarcar sozinha, para o Brasil, para fazer voluntariado os primeiros comentários não tardaram a chegar, e nem todos eram positivos. Que eu era maluca, que não era um país seguro, que podia ser assaltada, entre outras. A verdade é que nada na vida é seguro, seja em Portugal ou no Brasil, então decidi confiar em mim e avançar. E só vos posso dizer que foi melhor do que eu podia imaginar!

Quando lá cheguei fui acolhida com muito amor pelas crianças e adultos da Associação Filhos do Céu e também pelas minhas colegas de aventura (Alexandra e Filipa). Nos primeiros dias na Associação tivemos o chamado “apalpar terreno”. Fizemos uma visita pela AFC, passamos pelas várias salas e atividades que estavam a decorrer, enquanto íamos conhecendo as crianças e ficando a saber mais um pouco das rotinas e vidas delas.

Os nossos dias na Associação começavam às 08h00 e depois do pequeno-almoço as crianças dividiam-se pelas respetivas salas e atividades. Eu acabei por passar mais tempo na sala dos 7 aos 9 anos, a fazer trabalhos escolares, leituras, jogos e muitas brincadeiras. Mas também ajudava na cozinha, a servir almoços, a descascar e cortar frutas e legumes. Basicamente íamos ajudando em tudo o que era necessário e acima de tudo, dando muita atenção às crianças. Passava também muito tempo na creche a brincar com os mais novos. Muitas saudades daqueles meninos que muito carinhosamente nos tratavam por “tia”. Os dias acabavam por volta das 17h00 onde depois aproveitávamos para passear e descansar.

Os fins de semana eram aproveitados para ficar a conhecer melhor Arraial d’Ajuda e não só. Ficamos a conhecer Caraíva, que é só incrível, a praia do Espelho, a reserva Pataxó da Jaqueira e eu ainda tive a oportunidade de conhecer um bocadinho do Rio de Janeiro e São Paulo. Aquele laranja do pôr-do-sol e o azul do mar dificilmente serão esquecidos.

Acima de tudo não tenham medo, não fiquem em casa e arrisquem! O “risco” em que eu me coloquei valeu muito a pena! O meu pequeno conselho é: zero expetativas, zero preconceitos, vontade de trabalhar e muita vontade de amar!