A experiência da Anabela na Guatemala

Passaram-se 3 semanas desde que voltei de Momos (o nome com que muito carinho dão à vila de Momostenango, onde se situa a clínica). Mas só agora consegui escrever este texto. Não por ter sido uma experiência negativa, muito pelo contrário, foi uma das minhas melhores aventuras. Queria tanto que este texto fosse perfeito para poder cativar as pessoas a participarem neste projecto. Mas apercebi-me que será sempre impossível por em palavras o que vivi lá. Só vivendo é que se consegue perceber a magia daquele cantinho no meio do nada. Em termos profissionais, esta aventura foi uma lufada de ar fresco, voltei de lá como uma enfermeira nova. Os meus pacientes foram incríveis e lembraram-me porque gosto tanto desta profissão. Ninguém quer saber quantos mestrados, doutoramentos ou formações temos, qual a nossa idade ou qual a nossa experiência profissional. Estão simplesmente agradecidos por estarmos lá, por partilharmos um bocadinho do nosso conhecimento com eles. A experiência que aquelas pessoas têm com os profissionais de saúde não é a melhor; estão habituados a serem mal tratados ou simplesmente ignorados. Ficavam surpreendidos quando os tratávamos com carinho e nos riamos com eles. Foi incrível poder partilhar aquilo em que acredito como enfermeira: que independentemente do sexo, nacionalidade ou condição econômica, todos devem ser tratados com respeito e simpatia.

Para além de que adquiri imensos conhecimentos devido aos casos clínicos que só naquelas condições seria possível. A nível pessoal cresci muito, não só com as pessoas locais, mas também com os meus colegas. Os guatemaltecos transmitem uma energia positiva incrível. Não sei se devido a todas as crenças que tem, às imensas cores que têm orgulho de expor por todo lado ou aos sorrisos mágicos que dão a qualquer um que passa na rua. Não há racismo ou estereótipos. As crianças não têm medo porque a nossa cor de pele é diferente ou porque falamos um espanhol estranho. Pelo contrário, sentem uma atração ainda maior pelo desconhecido. Os guatemaltecos nunca nos discriminaram porque éramos de uma raça diferente ou por estarmos a invadir o seu país. Sempre nos receberam com muito carinho e simpatia. Ensinaram-me que mesmo nas piores situações, quer sejam econômicas ou de saúde, a tristeza nunca ajuda e que energia positiva só atrai coisas boas. Esta foi uma experiência mágica que sem dúvida quero repetir. Para terminar , quero só partilhar o medo imenso que tive antes de ir, que também tive o pensamento “será mesmo que devo ir?”, que nos dias anteriores estava muito ansiosa sobre como seria. Nem tudo foi um mar de rosas e tive muitos momentos difíceis. No entanto, todos valeram a pena e aprendi que o medo de não viver a minha vida e concretizar estes sonhos será sempre maior que o medo de abraçar estas aventuras. Sinceramente, muito obrigado Para Onde, vou guardar esta experiência com muito carinho.