A experiência da Adriana em Moçambique

2016 foi um ano de mudança. Tinha chegado o momento de deixar tudo para trás e seguir um sonho antigo, o do voluntariado internacional. Graças ao crowdfunding consegui angariar o montante suficiente para ir fazer voluntariado em Moçambique. Em Agosto parti para Moçambique, mais precisamente para Chówkè, uma pequena cidade localizada a 200 km de Maputo.

Fiquei alojada em casa de uma família moçambicana, o que me permitiu viver esta experiência na sua plenitude. Com a Vovó Cacilda partilhava os meus serões, as minhas alegrias e angústias. A Vovó é daquelas pessoas que guardo com enorme carinho no coração. Este é um sentimento predominante, o de gratidão para aqueles que me receberam de braços abertos na sua terra. Khanimambo!

No ano passado uma grande seca fustigou a região afetando gravemente aqueles que todos os dias lutam pela sua sobrevivência, ou seja, a maioria da população. É devastador assistir tal situação em primeiro plano, faz-nos sentir inúteis e impotentes. Perante esta incapacidade de atuação, decidi fazer a única coisa que podia: empenhar ao máximo na missão e entregar de corpo e alma ao projeto. Passo a passo. Gesto a gesto.

Ao longo de 4 meses trabalhei em duas escolas e num Centro de Dia HIV. Nas escolas ajudei os alunos nos seus trabalhos de casa, dei explicações de Português, Matemática e Inglês. Sempre que possível, dinamizava a sala de Apoio com atividades extracurriculares, como expressão plástica e momentos de escrita/leitura. Exemplo disso foi a atividade “Se eu fosse Presidente de Moçambique”, a Agredisse surpreendeu a classe quando afirmou que “construía uma escola para os jovens para o ensinamento do amor e de como namorar para acabar com as gravidezes prematuras e indesejadas”.

 

Quanto ao Centro de Dia HIV, é constituído por cerca de 30 crianças e, ao contrário do que possa parecer, elas convivem bem com a doença e não se sentem desprivilegiadas por tal. No Centro passei muitos dos meus dias… dançámos, brincámos, trabalhámos, “assistimos”, rimos e chorámos (mais eu que eles). Cada dia era diferente, cada dia era especial. A genuinidade dos seus sorrisos e abraços penetravam o mais duro dos corações. Era impossível resistir-lhes.

 

Posso dizer que muitas coisas mudaram, mas quem mudou realmente fui eu. Mudei a forma como vejo o mundo, aprendi a aceitar a diferença e a ser mais tolerante com o próximo.

Eu vivi. Eu cresci. Eu aprendi. Esta experiência capacitou-me de uma forma que nenhuma escola o fez. Ensinou-me a ser humilde, a valorizar o que tanto que temos, mas principalmente o dom de Deus, a Vida.

Regresso a Portugal com a certeza que sou uma pessoa mais paciente, mais consciente e, principalmente, mais humana.

Por mais pequena que seja, sei que o meu pequeno gesto fez a diferença!