A experiência da Sara em Hong Kong

Chegar a Hong Kong, é perder-me com a dimensão dos edifícios, com a beleza do Victoria Harbour, é sorrir muito muito, é não ficar indiferente.

É justamente pegar nesses sentimentos e em conjunto com os voluntários de Itália, Rússia, Nepal, Tailândia e Sri Lanka ir para as escolas contar histórias sobre os nossos países.

Não, eles não sabiam onde ficava Portugal no mapa. Já ouviram falar de Espanha, alguns não sabem quem é o Cristiano Ronaldo, mas por outro lado adoram pastéis de Nata e sabem onde é Macau.

Tive que lhes contar que Portugal e Espanha são dois irmãos, que um dia um senhor chamado Afonso Henriques ficou cansado de viver no mesmo quarto que o irmão espanhol, foi viver para outro quarto. Isso fez com que ele aprendesse a falar outra língua, o português, mas que ao mesmo tempo continuasse a falar espanhol. Quando alguém lhe chamava de espanhol, ele ficava muito chateado, porque ainda que fossem irmãos, são diferentes e ninguém gosta ser chamado pelo nome do irmão.

Hong Kong trouxe também muitas gargalhadas mas também trouxe mais compreensão, tolerância e respeito, substantivos muito bonitos de se lerem mais nem sempre fáceis de se concretizarem. É preciso desistir daquilo que queremos para nós, deixar que outros tomem controlo das nossas rotinas e façam uso do nosso tempo. Não é fácil, mas por duas semanas fazemos esse esforço com a melhor cara e de espírito aberto.

Se vale a pena? Fernando Pessoa dizia na sua obra Mensagem que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” e sabem que mais? Tinha razão.

Porque estas pessoas para além de terem aprendido mais sobre o nosso país, também foram incentivadas a fazer voluntariado para serem melhores pessoas, e em retorno ensinaram-me mais sobre a língua e cultura deles.

Saí de Coração Cheio. Saí com a promessa de um dia voltar.

多謝 (duōxiè – Obrigada em Cantonês)